Hoje e o ultimo dia do ano e para esta data especial, quando, normalmente, fazemos um balanco dos ultimos acontecimentos e de como pretendemos reger nossa vida daqui pra frente, resolvi escrever sobre um tema muito atraente para nos, mulheres: a relacao com voce mesma e com o parceiro.
Este ano, dei inicio ao meu projeto de workshops e palestras so para mulheres. Esta primeira edicao focou na sexualidade e na forma como a mulher vive, hoje, a sua sensualidade e erotismo. Feliz com a receptividade deste primeiro encontro, ja me preparo para o proximo com uma nova empreitada: a expansao do tema, que passa a abordar, entre outras coisas, aquilo que vem a ser um dos maiores conflitos da mulher atual: a dificuldade de se manter singular em um relacionamento. Voce deve estar se perguntando o que quero dizer com isso. A resposta e simples. Manter-se singular nao significa manter-se solteira. Estar ao lado do homem ou da pessoa que amamos e maravilhoso, incomparavel. Mas erramos quando perdemos a singularidade ao desejar que o "outro" nos complete.
Os anos 60 nos deixaram uma heranca que acabou virando um grande fardo. Quando os baby boomers ganharam voz ativa, com muitas mulheres no mercado de trabalho e feministas inveteradas queimando sutias, exageraram na dose e, hoje, estamos pagando o pato. A mulher fingiu que podia ir de um extremo ao outro, que podia migrar da dona de casa subserviente dos anos 50 para uma powerwoman e que os homes passariam a ter papel coadjuvante em suas vidas. As mulheres comecaram a encarar suas carreiras como uma questao de sobrevivencia (financeira e social), os filhos ficaram para mais tarde e para os homens, elas fingiram deixar um espaco pequeno e sem muita importancia.
Crescemos com este legado, esta responsabilidade e por algumas decadas os divorcios dispararam e mulheres ocuparam cargos cada vez mais altos, exigindo delas um distanciamento cada vez maior da familia. Enquanto isso, os indices mundiais de mulheres com depressao, fobias e doencas causadas por estresse e problemas emocionais comecaram a disparar.
Ora bolas, mulheres sao mulheres, podem mudar externamente, mas biologicamente continuam no corpo de uma mulher, com uma fragilidade e sensibilidade que lhe elegeram parideira, aquela que carrega no ventre um outro ser, que grita de dor para ele nascer e que chora por ele e com ele, nos momentos bons e nos momentos tristes da vida. Este ser tao sensivel chamado MULHER, as custas de muito suor e lagrimas, conseguiu descobrir a formula da independencia financeira e social, mas jamais descobriu a chave para a total independencia emocional. Somos, sim, dependentes do amor, do afeto, do cuidado. Eramos nos que ficavamos na caverna cuidando da prole, enquanto nossos homens iam cacar. Nos amamentamos, acariciamos, protegemos. E assim como damos, ansiamos por receber. Tao simples quanto isso. E uma carencia vital, maternal, saudavel e totalmente compreensivel, da qual nao temos nada do que nos envergonhar.
Finalmente, a mulher se deu conta da necessidade deste equilibrio para alcancar a felicidade. A formula ideal seria unir a docura dos anos dourados de outrora com a possibilidade de ter uma vida propria, uma carreira da qual se orgulhe e que lhe de independencia financeira. Quando aceitamos isto, fica muito mais facil entender porque continuamos a querer ter filhos, a ter um companheiro e a cuidar destas pessoas como cuidamos de nos mesmas. Definitivamente, nao somos autosuficientes, mas tambem nao somos subservientes.
A tarefa agora e explicar a todos estes homens ai fora que a mulher de hoje nao e nem Amelia, nem autosuficiente. Eles se (mal) acostumaram com a figura da mulher independente, que disputa a vida de igual pra igual com eles, mas se esqueceram de que se tratam de seres biologicamente femininos, que nao estao preparados para sexo casual, nem para falta de compromisso. Nos, quando vamos para a cama com um homem, o recebemos dentro do nosso corpo, deixamos com que ele invada a nossa intimidade fisica e, certamente, invada tambem nossas emocoes mais reconditas. Querendo ou nao, o sexo nos conecta com o outro. Dificil entender isso quando se e homem, quando nao se e invadido por ninguem durante o ato sexual, quando nao se tem a sensibilidade visceral de captar a emocao, positiva ou negativa, do outro atraves do contato corporal. O comportamento contraditorio das mulheres nos ultimos tempos os confundiu e, agora, eles nos questionam, com toda razao: afinal, voces mulheres nos fizeram uma lavagem cerebral para que entendessemos que somos iguais, entao, o que querem agora ?
Queridas amigas, temos um duro trabalho pela frente. Encontramos o caminho da nossa felicidade, mas precisamos de muitas coisas, entre elas "deles" para ajudar a cruzar esta trilha longa e escura chamada vida. Onde estao as tochas dos nossos homens das cavernas ? Sera que eles ainda podem aprender a acende-las para nos ?
E, apos certa reflexao e fazendo um balanco nao so deste ultimo ano, e tambem dos dez que se passaram, chego a conclusao de que manter-se singular, mas tambem sincera com seus sentimentos, desejos e necessidades pode ser a grande chave para a virada.
Desejo a todas voces um 2011 singular ! Muito amor, paz, saude e money para se mimar a vontade naqueles momentos mais chatinhos da vida...rs
Grande beijo e ate o ano que vem